O que é um Evento de liquidez e como ele pode mudar sua vida

Evento de liquidez, certamente o mundo empresarial conhece bem esse termo. Sabemos que, surpreendentemente, do mesmo jeito que se abrem muitas empresas todos os dias, também são feitas transações de venda. Seja de forma parcial ou total da pessoa jurídica. Vide as fusões entre grandes multinacionais tão comuns nos últimos anos. 

Assim, um evento de liquidez é aquele que permite aos investidores iniciais de uma empresa se desfazerem dela, por meio da venda, da fusão ou da cisão do empreendimento.

E porque realizar um evento para tal? O sentido de evento nesse contexto se difere um pouco do comumente conhecido. Não se trata de uma festa ou evento de gala, mas sim de uma série de decisões estratégicas sobre como se dará e, em que momento, uma fusão trará mais vantagens para as companhias, por exemplo.

Isso porque, mesmo quem não vive esse contexto, pode imaginar que não é fácil abrir, vender, emprestar e fundir empresas, seja qual for o porte delas. Esse tipo de ato envolve processos jurídicos e burocráticos iniciais, permanentes e conclusivos. Além de estratégias de marketing voltadas para a nova realidade da companhia no mercado.

Razões para um evento de liquidez

Portanto, o evento de liquidez existe para resolver uma série processos e decisões que envolvem esse ato de venda da empresa, desde o começo até que ela seja concluída com sucesso. E como não poderia deixar de ser, o evento chamam a atenção de todo o empresariado, que fica de olho no mercado e na concorrência que se estabelece a partir da transação. 

Além disso, o evento de liquidez impacta os empresários envolvidos e a própria empresa, que pode ser beneficiada ou prejudicada por ele, a depender das decisões estratégicas tomadas. Assim, alguns cuidados devem ser tomados para evitar muitas perdas nesse processo, pois existem impactos diretos e indiretos que podem ser decisivos para o futuro da companhia.

Afinal não se trata somente da transferência de propriedade do negócio. Haverá também impactos diretos no valor de mercado, na percepção do cliente e na satisfação dos acionistas, neste caso, impactos indiretos. Independente de qual seja ele, nenhum deve ser negligenciado nesse instante.

O que é uma empresa e por que você criou uma? 

evento de liquidez o momento de ganhar dinheiro com sua empresa

Há diversas definições para empresa. Uma associação de pessoas para a exploração de um negócio que produz ou oferece bens e serviços, com vistas, em geral, à obtenção de lucros. Uma entidade jurídica que tem como obrigação apresentar lucro ou toda entidade constituída sob qualquer forma jurídica para exploração de uma atividade econômica. Seja mercantil, industrial, agrícola ou de prestação de serviços. 

Resumindo, empresa é uma entidade constituída juridicamente. Pode ser de propriedade individual ou coletiva que ofereça bem ou serviço. Muitas vezes com o intuito de obter lucros, de ganhar dinheiro, e de produzir para gerar riqueza para o dono e para o meio que a circunda.

Por isso, tornar-se empreendedor é o sonho de muita gente, ou pelo menos daquelas que pensam que a sociedade em uma empresa vai lhes trazer a tão sonhada boa vida, na qual se ganha mais com menos esforço. 

Quem conhece o meio empresarial sabe da luta diária que é abrir, manter e saber a hora de fechar ou de fundir uma empresa.  Isso porque, ser empreendedor implica em correr riscos, superar desafios e vencer obstáculos. Trata-se, principalmente, de trabalhar muito, porque a cada dia surgem novas dificuldades. 

Os desafio inerentes aos eventos de equity

Ainda assim, existem aqueles que encaram essa jornada, arregaçam as mangas da camisa e encaram o desafio. E é verdade que ser dono da empresa gera uma certa liberdade, pelo menos, para tomar decisões, definir objetivos e escolher equipes.

Mas o motivo que leva muita gente a entrar no ramo empresarial como chefe é a vontade de ganhar dinheiro. Seja para satisfazer as necessidades e realizar sonhos, seja para ter conforto financeiro e poder conquistar a liberdade que o dinheiro permite. Essa é a parte que vai exigir ainda mais dedicação do empresário iniciante.  

Se o perfil do empreendedor for de trabalho, de coragem e de disposição os lucros virão, talvez não com grande margem, mas virão. De quanto será? Possivelmente, muito mais do que o empresário ganharia se atuasse como empregado. Entretanto, com MUITO MAIS RISCO.

Coloque a mão na massa

Para isso, não basta mandar, tem que por a mão na massa. Mudar o conceito de chefe como apenas mandante para um que trabalha mais que a equipe subordinada. E mais, o dia a dia de um empresário não pode ser um trabalho rotineiro. 

Afinal, ser empresário é criar negócios, produtos ou serviços, desbravar mercados, conquistar novos clientes com novas abordagens. Para isso, ele vai precisar aprender a gerir pessoas, lidar com finanças e dar um pontapé na monotonia e na rotina peculiares a um emprego comum.

É saber a hora, inclusive, de realizar um evento de liquidez. Chega uma hora que o mercado dá sinais de que é preciso vender, fundir ou cindir sua empresa para seguir em direção a um futuro melhor e mais vantajoso. Nessa hora o empresário tem que buscar a mesma coragem que o fez iniciar a empresa com um diferencial ainda maior, a experiência de quem já conhece o mundo empresarial e suas artimanhas.

O que é Equity e qual seu envolvimento num evento de liquidez?

Uma palavra americana que se assemelha a patrimônio líquido quando traduzido para o português. Equity é um termo bem comum no meio empresarial, principalmente, quando se trata de Balanço Patrimonial. Inclusive para se chegar ao Equity se faz uma conta muito familiar a contadores: Assets – Liabilities = Equity. Traduzindo: Ativos menos Passivos igual ao Patrimônio líquido. 

Essa fórmula é a mesma utilizada no Brasil ou em qualquer outro lugar no mundo para encontrar o Patrimônio Líquido de uma empresa. Nesse sentido, Equity não diz respeito a qualquer patrimônio, mas ao patrimônio líquido de uma empresa.

Mas no mundo empresarial, a palavra vai além, diz que está comprando Equity, quando se adquiri uma ação, por exemplo. Sendo assim, podemos definir que Equity é o equivalente ao patrimônio líquido de uma empresa, ou seja, trata-se do valor patrimonial de uma companhia.

O mercado competitivo exige reposicionamento de marca e uma liquidez acionária que permita às companhias levantar capital para financiar uma próxima onde de crescimento. O que pode incluir expansão ou transformação dos negócios em um modelo mais sofisticado e aderente ao novo modelo de economia. 

É nesse sentido que as empresas têm buscado transações de venda, fusão e cisão e realizado, de maneira estratégica, um evento de liquidez. Para isso, o Equity da companhia acaba direcionando o valor da empresa. Tornando-se fundamental na hora de negociar ações e fechar do negócio tanto no presente como para os ganhos futuros.

O que é valuation 

Valuation vai além do Equity, é o conjunto da obra. Enquanto o segundo é o total apenas do patrimônio líquido, o valuation é o valor da empresa como um todo. Aquele que existe no momento de comprar uma ação. E isso vai depender de uma série de elementos, que inclui o preço de mercado da companhia. 

O empresário resolve fazer um evento de liquidez para evitar um prejuízo financeiro para a empresa, ou mesmo para torná-la mais competitiva. Mas o preço da empresa está elevado, será que é um negócio vantajoso naquele momento? 

Portanto, Valuation é o processo de estimar o valor real de um negócio – ou o valor intrínseco – projetando, dessa forma, o valor de suas ações para o futuro e o possível retorno do investimento em um ativo.

Dentro da metodologia do valuation, existem diversas técnicas de avaliações que podem ser utilizadas para fazer conjeturas a respeito do valor de uma companhia. Entre elas, a mais conhecida é o Fluxo de Caixa Descontado – FDC. Também é analisado o histórico de múltiplos, além dos números anteriores, que servem como comparativo de dados. 

Muita atenção nas premissas utilizadas

Ademais, a depender das premissas utilizadas e os números utilizados no Fluxo de Caixa Descontado, por exemplo, o valor justo de uma ação definido por um investidor pode ser totalmente diferente do valor encontrado por outro.

Assim, pode-se concluir que o valuation não é apenas uma fórmula matemática, mas sim uma metodologia que envolve diversos fatores subjetivos que variam de acordo com cada investidor.

O importante é compreender que o valuation é uma ferramenta valiosa para estimar ou ter uma ideia do valor justo de uma ação, mas que deve ser utilizado com bastante cautela, pois os resultados são muito subjetivos e dependem intimamente das premissas e métodos utilizados.

Portanto, o valuation de empresas é relevante, mas não deve ser o único critério utilizado pelo investidor na hora de aplicar capital em um ativo, o investidor deve buscar mesclar diferentes tipos de análise.

A importância dos números contábeis e financeiros

O Equityt e o valuation são sem dúvida elementos fundamentais para fazer uma análise do valor da empresa de forma objetiva, claro que esses não podem ser os únicos pontos a serem analisados no momento de avaliar o valor de uma companhia, especialmente quando se trata de uma decisão estratégica de realizar um evento de liquidez.

Estas análises em conjunto com as demonstrações financeiras oferecem uma visão clara da situação financeiro-econômica da empresa, identificando seus pontos fortes e fracos e mostrando sua evolução durante os anos. Isso porque, com as análises das evoluções da empresa é possível projetar situações que a empresa pode vivenciar num futuro próximo.

Por isso, seja qual for a escolha do empreendedor quanto a um evento de liquidez: venda  total, parcial ou outro tipo de transação, além da avaliação possível com os números existentes, o evento em si gera efeitos legais, tributários e contábeis, que devem ser compreendidos em sua totalidade antes da venda. 

Assim, é importante entender quais são os encargos decorrentes da venda, os impostos incidentes sobre o patrimônio gerado, os procedimentos legais para a transferência de propriedade e os processos de escrituração contábil envolvidos na venda, pois esses fatores podem impactar diretamente no patrimônio e também na saúde financeira da empresa.

Por isso, um suporte especializado em técnicas jurídicas, contábeis, fiscais e tributárias pode ser um bom caminho para acertar no evento de liquidez, uma vez que são procedimentos complexos que exigem conhecimento apurado e experiência em eventos desse tipo.

O que é M&A, também conhecido como fusão e aquisições? 

Em algum momento da trajetória do negócio, o empreendedor resolve mudar o rumo da história e partir para um evento de liquidez de fusão ou aquisição. No mercado empresarial, isso significa Mergers and Acquisitions,(M&A), o que na nossa língua quer dizer fusões e aquisições, ou F&A. 

Parece coisa de outro mundo, mas é um procedimento minuciosamente acordado e planejado de forma bem complexa. Dependendo das empresas que lideram essas operações, o processo pode mudar, mas, de forma geral, ele envolve algumas etapas.

Na maioria dos processos de Fusões e Aquisições, as empresas que pretendem passar por esse processo procuram conhecer outra empresa que esteja à venda ou à procura de um sócio, e esse percurso segue mais ou menos um roteiro.

Na primeira fase, um relatório é disponibilizado contendo um breve resumo do mercado de atuação da empresa, um descritivo básico da mesma, diferenciais e projeções financeiras. São as principais informações colocadas à disposição da parte interessada.

Quando então, ela desperta o interesse se inicia a etapa de assinatura de um Acordo de Confidencialidade (NDA), na qual as partes se comprometem a manter sigilo das informações e documentos que serão trocados ao longo de toda a negociação. O NDA é um instrumento de grande importância, já que procura resguardar as estratégias e imagem das empresas, garantindo segurança às mesmas.

Um passo de cada vez numa transação de M&A

O passo seguinte é a disponibilização das demais informações, agora com detalhes sobre as operações da empresa, perspectivas de mercado, dados históricos da companhia, fluxos, projeções financeiras, bem como outras informações que julgarem necessárias.

Após a análise detalhada dessas informações e documentos mencionados começa a fase de negociação propriamente dita, na qual se apresenta uma proposta contendo os valores a serem negociados. 

Essa etapa, normalmente, conta com a elaboração de um Memorando de Entendimento (MOU), um documento utilizado para alinhar as bases negociais, expectativas e linhas de ação entre as partes. 

Esse memorando funciona como um acordo de troca de informações e de cooperação mútua entre as partes, com o alinhamento de tudo que foi discutido e acordado, bem como a previsão de soluções para hipóteses. E também precisa ser assinado pelas partes. 

Atenção aos documentos e formalizações necessárias

Após a formalidade do MOU, há um processo de checagem, que serve para avaliar os riscos da transação. É o que se chama de Due Diligence, E mesmo que tal investigação possa ser realizada por obrigação legal, o termo diz respeito a investigações voluntárias.

Depois disso, vem o momento final, que conta com eventuais ajustes finais e negociação contratual, no qual o negócio é formalmente fechado. No processo de conclusão da Fusão e Aquisição (F&A), a empresa adquirente ainda tem a necessidade de realizar o laudo de PPA (Purchase Price Allocation ou Alocação do Preço de Aquisição) e em alguns casos o laudo de justificativa de amortização de ágio. 

Embora as fusões e aquisições possam ser vantajosas para empresas de diversos segmentos e portes, elas precisam ser estrategicamente pensadas. Para organizá-las, é importante entender profundamente o negócio, analisar bem o comportamento do mercado e planejar a nova estrutura da empresa.

Ainda assim, para que não aconteça nada de errado e para que todos os trâmites jurídicos sejam resolvidos, é aconselhável que a fusão ou aquisição seja acompanhada por companhias ou profissionais com experiência nessas operações.

O inevitável evento de liquidez 

 Algumas situações podem ser um estímulo para que o empreendedor resolva investir em um evento de liquidez. Eles podem ser pessoais, quando há vontade do empresário em se aposentar ou deixar o ramo para tomar um caminho diferente. Problemas extra pessoais, como conflitos entre empresários ou entre familiares, em caso de empresas familiares, que também podem acontecer em momentos de sucessão, quando herdeiros não pretendem seguir com o negócio.

Há também circunstâncias que tornam a decisão de vender a empresa um pouco mais involuntária. É o caso de falta de recurso para se expandir que esgotados todas as opções, o empresário não tem mais a intenção de reinvestir os seus dividendos, ao mesmo tempo em que não há vontade de deixar o negócio acabar. Uma estratégia é utilizar a carteira de negócios. Se essa for diversificada, próprios ou investidos, se desfazendo das menos rentáveis em detrimento das mais rentáveis. 

Se depois de analisar cada situação, a decisão for a venda, é hora de pensar na etapa seguinte: vender quanto da cota da empresa? Vender menos de 50% implica em manter o controle sob as mãos do atual dono, mais do que isso é transferir o poder de decisão para um novo sócio.

Você vai precisar conhecer, quando estiver se preparando para um evento de liquidez, quem são os players deste mercado, conhecer firmas de M&A, e os principais fundo de Private Equity e Venture Capital do mercado.

Para cada percentual à venda há implicações tanto na governança quanto no perfil do investidor. Fundos de investimento normalmente não compram 100% da empresa, já investidores estratégicos preferem comprar participações majoritárias, por exemplo.

Defina o passo a passo e siga o seu plano

Definidas as primeiras ações para um evento de liquidez ou a venda, fusão ou cisão, é preciso conhecer os principais tipos de evento de liquidez. Já que cada um deles envolve situações e cuidados distintos, especialmente na maneira como o processo de venda é gerido. 

Venda da companhia: no evento de liquidez por venda da companhia, seja ele total ou parcial, o empresário realiza a transferência de propriedade da empresa para terceiros. Impactando nos processos administrativos, operacionais e funcionais. Esse costuma ser o tipo de evento de liquidez mais comum, em que o empresário pode ou não se afastar das operações da empresa;

Fusão: também é possível que o evento de liquidez decorra da fusão entre empresas, dando origem a uma nova empresa, que passa a operar os negócios após a concretização do negócio;

Cisão da empresa total ou parcial: processo contrário ao da fusão, a cisão consiste na separação, total ou parcial, de uma empresa em duas ou mais empresas. Entidades novas ou já existentes se transformam através da transferência do patrimônio da empresa cindida. Na cisão total, a empresa cindida deixa de existir, enquanto na cisão parcial ela continua existindo, mas com capital alterado.

Paciência, firmeza e avaliação de riscos

Não é possível estimar o tempo de duração da venda de uma empresa, mas ele costuma ser longo. Variando entre 6 a 12 meses, em previsões muito otimistas. Isso porque esse procedimento implica uma série de atividades. Como: organizar documentos, avaliar a empresa, preparar a documentação, apresentar a empresa dentro e fora do país, negociar preço, passar por auditoria, entre outros.

Lembrando que a depender do porte da empresa – pequena, média ou grande – vai mudar o tempo e as formalidades serão ainda maiores. Sempre respeitando a complexidade de cada companhia. Por isso, conforme tipo de venda e as condições da negociação, se prepare para um processo longo e cansativo. Um processo que pode mudar completamente a rotina pessoal e profissional de quem vende.

Por isso, o mais disso tudo importante estudar e planejar a decisão de venda, procurando compreender seus impactos diretos e indiretos. Incluindo, certamente, as mudanças decorrentes dessa decisão e também se organizar para que o evento de liquidez da companhia corra de forma satisfatória.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: