O que é, e o que não é, uma startup

“O que é uma startup?” certamente é uma pergunta muito comum para todos os empreendedores do século XXI. Muitos acreditam que qualquer pequena empresa em seu período inicial pode ser considerada uma startup. Por outro lado, especialistas defendem que uma startup é uma empresa inovadora com custos de manutenção muito baixos. Mas que também consegue crescer rapidamente e gerar lucros cada vez maiores. 

O conceito mais atual, que parece satisfazer a diversos especialistas e investidores, define uma startup como um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza.

Para deixar ainda mais clara essa definição, vamos esmiuçar um pouco mais alguns elementos conceituais. O que seria, por exemplo, um cenário de incerteza? Trata-se daquela dúvida sobre se a ideia e o projeto de empresa vão dar certo – ou ao menos se provarem sustentáveis.

O modelo de negócios, por sua vez, é a forma como a startup vai gerar valor, ou seja, como fazer para transformar seu trabalho em dinheiro. Alguns negócios na internet utilizam como um dos modelos de negócios a cobrança por cada click nos anúncios mostrados nos resultados de busca. 

Outros modelos de negócios

Outros, como as franquias, atuam por meio de pagamento de royalties por uma marca, mas tem acesso a uma receita de sucesso com suporte do franqueador. Com isso cada um aumentar suas chances de gerar lucro.

Já o modo repetível significa a capacidade de entregar o mesmo produto novamente em escala potencialmente ilimitada, sem muitas customizações ou adaptações para cada cliente. Isso pode ser feito tanto ao vender a mesma unidade do produto várias vezes, ou tendo-os sempre disponíveis independente da demanda. 

É um modelo repetível, por exemplo, pay-per-view – o mesmo filme é distribuído a qualquer um que queira pagar por ele sem que isso impacte na disponibilidade do produto ou no aumento significativo do custo por cópia vendida.

A outra característica da startup é ser escalável, pois essa é a chave para o sucesso da empresa. E isso significa crescer cada vez mais, sem que isso influencie no modelo de negócios. Crescer em receita, mas com custos crescendo bem mais lentamente. Isso fará com que a margem seja cada vez maior, acumulando lucros e gerando cada vez mais riqueza.

Outro engano é achar que esses modelos de negócio são necessariamente empresas de internet. Elas só são mais frequentes no espaço virtual porque é bem mais barato criar uma empresa de software do que uma de agronegócio, ou biotecnologia. A web torna a expansão do negócio bem mais fácil, rápida e barata, sem falar na venda repetível.

Ainda assim, um grupo de pesquisadores com uma patente inovadora pode também ser uma startup – desde que ela comprove um negócio repetível e escalável.

Porque criar uma startup 

Uma startup é uma empresa jovem, criada para entregar um produto/serviço que resolva a dor de alguém. Sempre usando tecnologia em um ambiente de extrema incerteza. Diante disso, existem alguns motivos que devem ser elencados para explicar o porquê de alguém querer entrar nesse desafio. 

A primeira e mais empolgante é ter uma ideia inédita. Esse é o combustível para quem resolve empreender por meio de uma startup. O empreendedor acredita que aquilo pode ser a solução para um problema e que, por esse motivo, não tem como não ser vendável. 

Mas esse não pode ser a única razão. É preciso observar se a dor do público-alvo será, de fato, resolvida com esse projeto e qual o tamanho desse mercado. Isso porque quanto maior for a dor, maior será a clientela, e maior será a satisfação dos seus clientes, caso o seu negócio resolva a dificuldade deles. Assim como também, maior serão suas captações de investimento, será seu time, sua exposição na mídia, e seus desafios, é claro.

Depois disso vem a parte mais interessante que é montar uma equipe. Pois mais que dinheiro, escritório ou mesa de ping-pong, o maior fator de sucesso de uma startup é o time, que vai ficar por trás dela, que vai fazer tudo acontecer. Talvez esse seja o fator mais importante para o sucesso desse tipo de empresa: a capacidade de execução.

Portanto, se o negócio envolve tecnologia, antes de tudo, tenha um sócio programador. É imprescindível para o sucesso e nenhum investidor vai se dar o trabalho de responder seu e-mail, se na apresentação que você enviar não houver um time completo, com visível capacidade de execução.

Os desafios de criar uma startup

Os desafios são grandes e essa pode ser a melhor razão para quem desenvolve a capacidade empreendedora, além disso, esse empresário, geralmente, se sensibiliza com a dor do outro, por isso, pensa em, inicialmente, resolver essa dor de forma efetiva. 

Assim a criação de uma startup não tem a ver somente com a obtenção de lucros, mas sim e, principalmente, com o desejo de contribuir com um grupo social, que não é atendido de maneira direta em seu problema.

Da vontade em realizar um trabalho social ao mesmo tempo em que se gera lucro é, talvez, o maior desafio desse empreendedor.  Por isso, é importante se estudar, buscar ajuda com outros empreendedores. Esse é um ambiente de muita troca e conhecimento. O que envolve mentorias e especializações de voluntários, empresários que já foram iniciantes e fazem questão de ajudar o novo colega no ramo. 

Alternativas a startups 

A startup é um tipo de negócio interessante e, quando consegue atingir seu propósito, se torna uma empresa promissora e de grande potencial. Uma vez que a escalabilidade é uma das suas características, portanto, ela já nasce com possibilidades ilimitadas de crescimento.

Mas quem conhece um pouco do mercado pode concluir que criar uma startup é um grande desafio. Atividade para quem tem uma grande ideia e muita disposição para empreender, passar por todas as etapas e ter muita paciência para esperar o tempo de maturação do negócio.

Nem todo mundo tem esse perfil e essa condição psicossocial. Uma alternativa que vem sendo buscada por muitos profissionais cansados das vivências cansativas do mercado de trabalho, e que vem crescendo muito no Brasil e no mundo, é o conceito de Lifestyle Business. 

Trata-se de um modelo de negócio idealizado com base em um estilo de vida específico. É quando o sistema de trabalho é implementado com o objetivo de sustentar um determinado nível de renda, ou apenas uma base para desfrutar de um determinado costume.

Algumas pessoas optam pelo modelo apenas para assegurarem um meio de se sustentar, ou seja, sem maiores objetivos e, essa é a grande diferença do modelo Startup Business, que se resume numa ideia embrionária de negócios já criada com a intenção de crescimento mercadológico.

Potencial de crescimento

Empresas inseridas nesse contexto têm o potencial de crescimento e a escalabilidade limitados, pois se forem conduzidas a um maior desenvolvimento, perderão a essência e se descaracterizarão, alterando o modo de vida de seus idealizadores.

No entanto, os negócios como estilo de vida podem se destacar, ganhar prêmios e proporcionar satisfação aos seus proprietários e clientes. Essa é a parte cativante de entrar de cabeça nesse plano. Uma coisa é certa: o Lifestyle não se encaixa nos padrões convencionais exigidos pela sociedade, na maioria dos casos, o que já é uma grande vantagem para os mais ousados.

O Lifestyle Business depende fortemente das habilidades de seus fundadores, e o talento de quem empreende é a base para que os negócios aconteçam. A personalidade e a energia pessoal também dão base para que o processo seja posto em prática.

Muitos optam trilhar por esse caminho por desejarem um horário mais flexível, ter a chance de trabalhar com membros da família, atuarem em uma área geográfica desejada, ou simplesmente para mostrarem seu talento. 

Por isso mesmo que ela exige um envolvimento pessoal profundo do fundador, para que a empresa não fique suscetível ao fracasso. É por isso que investidores raramente se envolvem com empresas desse estilo. 

A prestação de serviço, criação de produtos digitais, pequenas indústrias criativas e tipos similares podem ter sucesso nesse meio. Assim, como profissionais liberais, empreendedores individuais, pequenas equipes, tais como grupos familiares, se adaptam mais facilmente ao modelo.

As aceleradoras e Hubs de inovação são entidades que existem para incrementar o potencial de crescimento das Startups, colocando os fundadores em contato com fundos de Venture Capital, outros fundadores e outras empresas importantes para o desenvolvimento das empresas que buscam crescimento rápido.

A importância dos números contábeis e financeiros numa startup 

A habilidade para elaborar um plano estratégico bem estruturado em todas as áreas para que a empresa se torne competitiva e tenha um crescimento sustentável é, sem dúvida, um desafio e tanto. 

Uma das áreas que mais pede atenção é a financeira e contábil, que deve estar em dia e organizada. A contabilidade de empresa de pequeno e médio porte são diferentes das indicadas às grandes corporações, por isso, operar essa realidade tributária, complexa e dinâmica, em que as leis podem mudar a qualquer momento, é fator determinante para a sobrevivência de qualquer empreendimento desse tipo.

Ela vai muito além da escrituração, pois engloba outras muitas áreas da empresa como a de gestão de pessoas, despesas, acompanhamento de resultados e orientação de investimentos. 

Você vai descobrir a importância de ter seus números organizados da pior forma possível, se esperar os auditores e advogados dos seus investidores descobrirem que você nunca se preocupou com sua contabilidade. Ou pode se preparar com antecedência e estar pronto para fechar um bom negócio quando encontrar o investidor certo.

Não despreze o poder da contabilidade

Além disso, uma contabilidade para empresas desse porte, que seja transparente e bem organizada faz toda a diferença para quem busca crédito nos bancos. Os financiamentos e empréstimos são necessários para aumentar o capital de giro. No entanto, esses benefícios só são concedidos se a empresa tiver demonstrações financeiras bem estruturadas.

Como a vida de um gestor é repleta de desafios, além das constantes mudanças nas leis e na parte fiscal, é comum que várias informações legais se percam ou fiquem desatualizadas. 

Por isso, é importante buscar serviços de contabilidade consultiva, para garantir que a empresa esteja atuando sempre de acordo com as exigências do mercado, deixando o empreendedor livre para lidar com as questões estratégicas e buscar maior crescimento.

Como entrar e sair do mercado de startups 

Cada etapa da criação de startup envolve uma série de obstáculos. Segundo  levantamento da consultoria McKinsey sobre a economia digital no Brasil, as maiores dificuldades relatadas por startups ouvidas foram o engajamento dos consumidores (23%), marketing (13%), precificação e obtenção de receitas (11%), obtenção de financiamento (11%) e construção da tecnologia (9%).

O sucesso na criação e crescimento de startups é muito difícil, o que é reforçado pelas estatísticas. No entanto, isso não significa que a tentativa de empreender seja um caminho equivocado. 

Ao formular uma solução para um problema, o empreendedor precisa pensá-lo como negócio, incluindo qual será o seu modelo, de que maneira vai comercializar o serviço ou produto, como e quem será remunerado na rede a ser formada e de que modo vai poder arcar com os custos de montagem e sustentação da firma.

Outra parte fundamental é a definição do público-alvo. O conjunto de pessoas, empresas, instituições e organizações com interesse potencial na solução proposta pelo empreendedor. Saber quanto vai vender e para quem vai vender, pois não adianta ter uma boa ideia e direcionar o esforço para o cliente errado. 

A maioria dos contratos de investimento em startups prevê a possibilidade de o investidor converter seu aporte em participação na startup, mas isso, nem sempre é da vontade do empreendedor.

Conseguindo um investimento

De qualquer forma, quando isso é condição para que aconteça o investimento, investidor pode acabar se tornando sócio da startup, convertendo o valor a ser investido em um certo número de ações da sociedade. 

A primeira coisa que você precisa conhecer quando começar a pensar em conseguir um investimento para sua startup é saber identificar em qual fase de desenvolvimento sua empresa está. Isso é importante pois a abordagem e as exigências dos investidores mudam a cada fase do ciclo e vida da sua startup.

O empréstimo que o investidor faz à startup via contrato de mútuo conversível pode ser devolvido em dinheiro ou convertido em participação societária. Com isso, a data de vencimento do mútuo prevista no contrato, que pode ser estipulado livremente pelas partes do contrato, será o início de uma sociedade para o caso de transações futuras.

Mais na frente, um possível evento de liquidez, pode ser sinônimo de um novo investimento da startup, aumento do capital social, compra de controle da startup. Assim, quando o mútuo atinge a data de vencimento ou, na ocorrência de um evento de liquidez, não existe uma cláusula de participação variável, costuma-se aplicar conversão por participação fixa. 

Na participação fixa, o investidor obtém um percentual ou número fixos de quotas da sociedade. Isso significa que o investidor terá direito à participação societária que foi antecipadamente prevista no contrato, comumente também chamada de “participação de referência”. 

No caso de haver no contrato uma cláusula de participação variável, na ocorrência de um evento de liquidez, a participação a ser adquirida pelo investidor irá variar de acordo com um cálculo, e não um número fixo previamente determinado.

É importante frisar que outros cálculos de participação variável podem ser aplicados, conforme o interesse das partes. Utilizando as variáveis da forma que acharem mais adequada. Há bastante espaço para criação, pois a legislação nacional não apresenta regulamento específico sobre esse tipo de cláusula.

Não existe um único tipo de investidor quando o assunto é startup, e conhecer todas as estrutura de investimentos disponíveis vai te ajudar a se preparar para receber o investimento que vai fazer diferença na história da sua empresa.

Assim, deve ser usada estratégia e criatividade, para tornar a conversão dos mútuos em participação societária mais justa. 

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